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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Desenhar o Porto: 23 de Abril a 18 de Maio/ FAUP


CONVIDO-VOS A VISITAR A EXPOSIÇÃO...O PORTO ...e ... a minha relação gráfica com os plátanos do jardim da Cordoaria...

A Gesto Cooperativa Cultural, CRL e a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto vêm por este meio convidá-lo a visitar a
Exposição Desenhar o Porto mostra de desenhos.
de 23 de Abril a 18 de Maio

Desenhar o Porto aconteceu no dia 17 de Setembro de 2011 e, reuniu desenhadores nacionais e internacionais para,
em apenas um dia, desenharem a cidade do Porto.
O colectivo de participantes ficou distribuído por 10 locais sorteados pelo mapa da cidade.
No final do dia encontraram-se e partilharam as suas experiências, que agora se apresenta nesta mostra de desenhos.
Este evento foi uma iniciativa da Gesto Cooperativa Cultural que contou com o apoio da FAUP, FBAUP, EAUM, Clube de Desenho e Estúdio Um.

terça-feira, 29 de março de 2011

A identificação e a acentuação de certas características da espécie botânica nas suas fases de mutação, é associada a acções gráficas de ordem semântica e processual. A alteração rítmica de um traço denso intensifica um gesto tenso tanto quanto a fluidez aquosa de um instante que se dissipa. Cada gesto procura cruzar a acção gráfica com a improvisação espacial e simbólica que a sustenta. O corpo físico é entendido como médium no manuseio do pincel chinês, da pena gráfica, das aguadas de pigmento e cor.
Cada desenho indexa um processo alla prima. Vive de gestos antecipados, gestos de ar e com movimentos furtivos [...] Desenhar é saberse solo, ou seja, preparado para afrontar o desconhecido e saber multiplicar-se, ou seja mover-se e metamorfosear-se .
A série Magnólia é referência acima de tudo ao que fica por dizer, ao que na suspensão do olhar se completa pelo inefável nos caminhos da percepção sensível. É aí que reside a poética do desenho.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Melanoselinum . Rosário Forjaz . joalharia . 2010

Melanoselinum decipiens é o nome latino que identifica a espécie botânica em referência a esta exposição. A terminologia varia de acordo com as culturas e os países. Na língua portuguesa, é conhecida por aipo de gado ou aipo da serra, em francês selin noir, em espanhol perejil negro, em inglês black parsley, zwarte peterselie em holandês, entre outros.

Pertence à família das Apiaceae. A inflorescência resulta da distribuição dos pedículos numa volumetria que sugere a forma de um guarda chuva. Na relação com o eixo central, esta estrutura sustenta as flores e é responsável pela condução da seiva. As pequenas flores de cor esbranquiçada apresentam uma simetria radial com cinco sépalas, cinco pétalas e cinco estames. A dimensão de cada influorescência varia, podendo alcançar um diâmetro bastante grande. A floração ocorre entre os meses de Abril a Agosto.

A viagem à ilha da Madeira no verão de 2009 permitiu-me contactar com esta espécie endémica da ilha. Conhecê-la no seu habitat. Colhê-la.
Mais tarde, longe, no ateliê no Porto, o pensamento evoca, flui, cruza o tempo.
Da viagem, dos passeios a pé, ficam os registo gráficos de plantas, de flores. Herbários que guardo. Objectos relicário onde a escolha do papel suporte é cuidada na forma, na cor e na dimensão reduzida em conformidade com a bagagem de viajante.

A deslocação dos registos do lugar de origem equaciona uma dimensão espacial e temporal nova. O gesto repete-se e sobrepõe-se ao anterior sem o substituir.
Pensar Melanoselinum é intuir poética e plasticamente sobre a ideia de paisagem. Se por um lado a fisionomia da espécie botânica alicerça o desafio, por outro a integração dos seus elementos em processos de experimentação e seriação gráfica nomeia o que não se conhece. As linhas de orientação articulam-se. Expandem-se em diferentes direcções e coordenadas na experiência do sensível. A sistematização dos processos de experimentação e pesquisa cria categorias que organizam o que primeiro se informou ou sugeriu. A narrativa convoca a ficção atribuindo etiquetas nominais abertas à reflexão.
Cada objecto é paisagem. Cada ring cada pin, é desenho. São objectos de mão agrupados em dois grupos de acordo com o uso. São 50, meio cento: 25 alfinetes e 25 anéis. Circulares na forma, dinâmicos no conceito: linhas em circulo (lc) e círculos em círculos (cc). O método de trabalho subverteu em certos casos as diferenças ou possíveis exigências de uso parcial (entre os dois grupos). Como num arquivo, que sistematiza a informação e cada acção, o desenho converte-se em processo e a criação é entendida como desenho em si mesmo.

A matéria das coisas e a semântica visual das formas, cores, texturas, concordâncias, cheios e vazios, silêncios e densidades, convocam a permanência do olhar revisitado. A corola da flor, a pulverização das sementes, a estrutura radial dos estames, o envelhecimento que confere a patine cobre, a oxidação e a subtil inscrição na auréola da flor que subsiste, são corpo vegetal.

O desenho resgata a matéria ao compromisso formal e conceptual.
RINGs & PINs são objectos para usar no corpo. são desenhos em transito.