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terça-feira, 17 de março de 2020
Film for the exhibition “caminhando à flor da pele “ - “walking into skin’s flower” before Covid19 takes us inside home. Last museum show open. Last time to be together until spring. Let spring arrive into our lives with health care. Time to mindfulness. Time to bodyguard together. Life is short. We live with memories that can intoxicat our thoughts and improve fear. We must be patient. We must wake up for the importance of small things that made our lives great again.
https://www.facebook.com/168407656543789/videos/521103888788689/
domingo, 1 de março de 2020
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
Os sete momentos de Rosario Forjaz. Texto crítico de Laura Castro para a exposição, Caminhando à flor da pele. 2020
Os oito momentos de Rosário Forjaz
Fui ler os textos de Rosário Forjaz no espaço que cultiva na internet (https://rosarioforjaz.blogspot.com/), depois de ter lido as suas notas sobre o material que apresenta nesta exposição. E, ao fazê-lo, ao ler as descrições do seu trabalho, a divulgação do que a move, a reflexão sobre o que a cativa e inquieta, ao entender essas palavras como extensão da sua prática artística, questionei-me acerca da necessidade das minhas sobre a sua obra.
Registei, ao mesmo tempo, a insistência em alguns termos, como silêncio e sussurro, a referência ao tempo e à sua suspensão, o intimismo e uma vaga ideia de solidão. Tudo conduzia à dispensa das palavras por escrever.
No entanto, convidada a pensar sobre o seu trabalho, começo por uma explicação básica do que o título da exposição – Caminhando à flor da pele – me sugere: no verbo, a transposição de espaço e de tempo, e na expressão “à flor da pele”, a dimensão sensorial e emotiva do acontecimento. Apoio-me no significado da expressão e do que ela implica, autenticidade, o que está rente ao corpo. Apoio-me na ideia preconcebida de que as impressões primeiras e imediatas podem ser as mais penetrantes – sentir na pele é isso mesmo, o que emerge do mais profundo do ser. Sem indícios evidentes para situar a experiência, pressente-se o ambiente natural, o universo telúrico. É do senso comum e, portanto, redutor, imaginar a caminhada na paisagem, mas é inevitável, pela mesma e precisa razão. Claro que a escolha da expressão “à flor da pele” tem ainda a vantagem de relacionar o carnal e o vegetal, o corpo e a flor.
Cada projecto de Rosário Forjaz está ligado à experiência concreta de um lugar e ao que nele se cumpre: ver, andar, vigiar, meditar, ouvir, recolher, registar e lembrar. A tríade paisagem, corpo e memória articula-se para construir o seu trabalho que é fruto das correspondências, afinidades e ressonâncias entre as três entidades. O eco de cada caminhada perdura e alimenta a sua obra. Regresso aos títulos que, com muita frequência, incluem palavras e imagens oriundas do campo natural – plantas e processos, as espécies botânicas e o curso cíclico da natureza.
Particularizando quanto acaba de ser dito, atente-se no trabalho exposto.
Sublinho, em primeiro lugar, os materiais utilizados: os naturais, como raízes, terra, fibras vegetais, limos, ferro; os materiais artísticos, muitos de origem igualmente natural, como certos pigmentos ou o papel de arroz. Saliento, em segundo lugar, os processos eleitos, como o desenho e a gravura, e o gosto manifesto por tudo o que envolva transferências, transposições e transparências. Esta preferência permite sobrepor tempos e combinar espaços, numa superfície de papel ou num objecto, preservar as transformações que ocorrem ao longo do processo e fazer coexistir os elementos originais e os elementos adicionados. Deste modo se percepcionam máscaras, rugas, dobras, marcas de pressão, pregas e todo o tipo de vestígios. Destaco, finalmente, dos dispositivos usados, o livro para manipular e folhear, uma bobine de papel pardo e um carrocel de desenhos porque envolvem movimento e devir e configuram metaforicamente os trânsitos e os fluxos da natureza.
A mesma estratégica metafórica pode ser descoberta no modo como a artista organiza o seu guião expositivo, criando momentos que evocam as estações da sua caminhada. Em vez do convite para assistir, há um apelo implícito ao percorrer, e em vez do acto do observar coisas colocadas no espaço, há uma invocação do decurso do tempo e uma reactualização de pensamentos e sensações.
Se Rosário Forjaz parte de uma raiz performativa e adopta uma perspectiva poética na realização do seu trabalho, é a estética do vestígio que o domina, aspecto que, nas circunstâncias do tempo histórico que é o nosso, terá de ser relacionado com as ocorrências críticas do tema que elegeu e que exigiriam, possivelmente, palavras diferentes das que aqui deixo.
Laura Castro
Universidade Católica Portuguesa – Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes
Corpo a Corpo
see sea
4 Desenhos – “see sea” -conjunto agrupado a definir cruz como espacamento entre os desenhos (quadrado com 2 em cima e 2 em baixo)
Materiais: pigmentos naturais de seppia e marcas a ponta de prata sobre papel
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