Rosário Forjaz

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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

I Jornadas de medicina interna de Braga, Braga, 1989 - Biblioteca Nacional Digital

I Jornadas de medicina interna de Braga, Braga, 1989 - Biblioteca Nacional Digital
Publicada por Rosário Forjaz em Quinta-feira, Dezembro 22, 2011
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ARQUIVO GRÁFICO:desenho, pintura, fotografia, etc

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Magnolia 11/Exposição Casa da Cerca

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I & Art

  • http://www.youtube.com/watch?v=2yYJDf7Bg8I
  • http://www.youtube.com/watch?v=ZeO5yBXbztM

CV/Exposições Individuais:

2010 .”Melanoselinum”, Livraria 100ª página, Braga.

2010 . “Convivermos com o que não sabemos definir é melhor do que sabermos tudo”, Centro Cultural São Mamede, Guimarães.

2009 .“Prática Específica”, exposição de desenho no âmbito de Mestrado em “Teoria e Prática do Desenho”, pela FBAUP, Cozinha, Porto.

2008 .”Herbário de gestos”, Livraria 100ª página, Braga.

2008 .”Herbário de gestos”, Galeria Plumba, Porto.

2005 . “Dentro da Paisagem”, Espaço Moçambique, Porto.

2004 . “Árvore Aérea”, QuasiLoja, Porto.

2000 . “Impressões de Viagem”, Galeria da Universidade, Museu Nogueira da Silva, Braga.

1995 ."Dimensionalidades na ocupação de um espaço”, Cooperativa Árvore, Porto.

1992 . “Pintura”, A.P.I.A.R, Porto.

CV/ Exposições colectivas recentes

2011 . “Arte em Segredo na FBAUP”, Reitoria da Universidade do Porto, Porto;

2011 . “Sobre-Natural, 10 olhares sobre a natureza!”, Casa da Cerca, Centro de Arte Contemporânea, Almada;

2010 . “Arte em Segredo na FBAUP”, Reitoria da Universidade do Porto, Porto;

2010 . “O pião como obra de arte”, Escola Artística Soares dos Reis, Porto;

2009 . “Homem T, Um projecto de felicidade”, Avenida dos Aliados, Porto;

Acerca de mim

A minha fotografia
Rosário Forjaz
Nasce em Lourenço Marques, Moçambique. Vive e trabalha no Porto. Professora efectiva da Escola Artística Soares dos Reis no Porto. Licenciatura em Artes Plásticas Pintura pela ESBAP (1984/89). Mestre em Teoria e Prática do Desenho: Gesto: A Repetição e o Inefável no Desenho (2009). Formação nos domínios: Cerâmica (1987/89); Curso Superior de Cultura e Língua Italiana (1990/93); Joalharia (1996/99); Pós Graduação:“Integração da Óptica e Luz Laser na Expressão Plástica”, U.Aveiro (1998/99); Licença Sabática “Articulação Teoria Prática-Saberes Estruturantes e Materiais de Apoio à Educação/Ensino Artístico” (2002/03). Formadora Creditada. Desenvolve actividades de docência e orientação artística, tal como em 2001, organização do Seminário “Os Desenhos do Desenho nas Novas Perspectivas sobre Ensino Artístico” na Fac.Psicologia Ciências Educação da U. Porto; 2006, Co-autoria da edição de manual escolar “Ver, Desenhar e Criar”, de Educação Visual do 3º Ciclo do Ensino Básico. Representada na Fundação Joe Berardo, Banco de Fomento e Exterior de Moçambique, na Universidade de Aveiro e em colecções particulares nacionais e estrangeiras.
Ver o meu perfil completo

Breve reflexão sobre a prática artística

A minha prática pessoal tem se desenvolvido de uma forma bastante eclética.
O meu percurso profissional integra a área artística sob duas perspectivas: a actividade ligada à formação de base em pintura e a actividade como professora do ensino secundário. Como reflexo desta relação, alarguei o âmbito de aprendizagem noutras áreas do conhecimento.
A aceitação de desafios de outras áreas artísticas permitiu o desenvolvimento de inúmeras actividades que ultrapassaram os interesses individuais da prática específica enquanto pintora.
O percurso artístico não exclui a preocupação crescente em intervir de uma forma critica e activa. Esta reflexão refere aspectos da ordem dos processos e conteúdos, a relação entre o digital e o analógico entre outros domínios e preocupações.
Em termos de prática específica, a representação da paisagem na sua relação com as questões do espaço e da luz, tem sido uma temática recorrente.
Numa fase inicial, pós licenciatura, a abordagem incidiu sobre a representação do espaço arquitectónico. Através de processos de simplificação formal e exploração da luz, a representação incidiu sobre a exploração de situações de ambiguidade através da criação de espaços

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Artes Plásticas

  • Fotos inauguração "Herbário de Gestos"/ Plumba 2
  • Fotos Inauguração "Herbário de Gestos"/Plumba
  • HOJE Exposição Desenho em Guimarães
  • http://http//jn.sapo.pt/paginainicial/Cultura/interior.aspx?content_id=1015583
  • http://http://www.fernandonobre2011.com/noticias/exposiao-de-pintura-na-sede-distrital-do-porto.aspx
  • noticias exposição em Guimaraes

Magnolia 2011/Sobre-Natural - 10 Olhares Sobre a Natureza

O corpo de desenhos que se apresenta é entendido como o lugar de confluência de um olhar sobre uma espécie botânica viva e mutável: a Magnólia. O desenho procura desmontar a ordem. Potenciar as estruturas de metamorfose intrínsecas à sua morfologia. Nos invernos do Porto, a magnólia branca é a árvore que primeiro dá flor. E é sob o deslumbramento da pulverização e florescência que reside a dinâmica do corpo que procura a luz. A observação do natural questiona. Obsessivamente re inventa, re pensa, regista o pensamento interior. A série Magnólia é constituida por nove dipticos. A sistematização do tema segundo processos de serialidade confere um caracter normativo com analogias a um arquivo, a um herbário. Procura-se explorar correspondências sígnicas através de dinâmicas de transição, coerência e implicação. A identificação e a acentuação de certas características da espécie botânica nas suas fases de mutação, é associada a acções gráficas de ordem semântica e processual. A alteração rítmica de um traço denso intensifica um gesto tenso tanto quanto a fluidez aquosa de um instante que se dissipa. Cada gesto procura cruzar a acção gráfica com a improvisação espacial e simbólica que a sustenta. O corpo físico é entendido como médium no manuseio do pincel chinês, da pena gráfica, das aguadas de pigmento e cor. Cada desenho indexa um processo alla prima. Vive de gestos antecipados, gestos de ar e com movimentos furtivos [...] Desenhar é saberse solo, ou seja, preparado para afrontar o desconhecido e saber multiplicar-se, ou seja mover-se e metamorfosear-se . A série Magnólia é referência acima de tudo ao que fica por dizer, ao que na suspensão do olhar se completa pelo inefável nos caminhos da percepção sensível. É aí que reside a poética do desenho. (Rosário Forjaz 2011)

Pião vegetal

Pião vegetal
2010

Melanoselinum 2010 . Rosário Forjaz . joalharia . 2010

Melanoselinum decipiens é o nome latino que identifica a espécie botânica em referência a esta exposição. A terminologia varia de acordo com as culturas e os países. Na língua portuguesa, é conhecida por aipo de gado ou aipo da serra, em francês selin noir, em espanhol perejil negro, em inglês black parsley, zwarte peterselie em holandês, entre outros.

Pertence à família das Apiaceae. A inflorescência resulta da distribuição dos pedículos numa volumetria que sugere a forma de um guarda chuva. Na relação com o eixo central, esta estrutura sustenta as flores e é responsável pela condução da seiva. As pequenas flores de cor esbranquiçada apresentam uma simetria radial com cinco sépalas, cinco pétalas e cinco estames. A dimensão de cada influorescência varia, podendo alcançar um diâmetro bastante grande. A floração ocorre entre os meses de Abril a Agosto.

A viagem à ilha da Madeira no verão de 2009 permitiu-me contactar com esta espécie endémica da ilha. Conhecê-la no seu habitat. Colhê-la.
Mais tarde, longe, no ateliê no Porto, o pensamento evoca, flui, cruza o tempo.
Da viagem, dos passeios a pé, ficam os registo gráficos de plantas, de flores. Herbários que guardo. Objectos relicário onde a escolha do papel suporte é cuidada na forma, na cor e na dimensão reduzida em conformidade com a bagagem de viajante.

A deslocação dos registos do lugar de origem equaciona uma dimensão espacial e temporal nova. O gesto repete-se e sobrepõe-se ao anterior sem o substituir.
Pensar Melanoselinum é intuir poética e plasticamente sobre a ideia de paisagem. Se por um lado a fisionomia da espécie botânica alicerça o desafio, por outro a integração dos seus elementos em processos de experimentação e seriação gráfica nomeia o que não se conhece. As linhas de orientação articulam-se. Expandem-se em diferentes direcções e coordenadas na experiência do sensível. A sistematização dos processos de experimentação e pesquisa cria categorias que organizam o que primeiro se informou ou sugeriu. A narrativa convoca a ficção atribuindo etiquetas nominais abertas à reflexão.
Cada objecto é paisagem. Cada ring cada pin, é desenho. São objectos de mão agrupados em dois grupos de acordo com o uso. São 50, meio cento: 25 alfinetes e 25 anéis. Circulares na forma, dinâmicos no conceito: linhas em circulo (lc) e círculos em círculos (cc). O método de trabalho subverteu em certos casos as diferenças ou possíveis exigências de uso parcial (entre os dois grupos). Como num arquivo, que sistematiza a informação e cada acção, o desenho converte-se em processo e a criação é entendida como desenho em si mesmo.

A matéria das coisas e a semântica visual das formas, cores, texturas, concordâncias, cheios e vazios, silêncios e densidades, convocam a permanência do olhar revisitado. A corola da flor, a pulverização das sementes, a estrutura radial dos estames, o envelhecimento que confere a patine cobre, a oxidação e a subtil inscrição na auréola da flor que subsiste, são corpo vegetal.

O desenho resgata a matéria ao compromisso formal e conceptual.
RINGs & PINs são objectos para usar no corpo. são desenhos em transito.

dália em 60 minutos 2008

dália em 60 minutos 2008
desenho


Dáhlia em 60 minutos,

2008, grafite liquida sobre papel Windsor & Newton 220gr 100% algodão, 42 x 210 cm

O conjunto sequencial, em 5 tempos, concentra a energia pulsional de 60 minutos de acção. Os meios, a grafite, os pigmentos sépia e azul cobalto, transferem de uma forma aquosa as marcas de uma gestualidade contida.


Orquideas #1,

2008, grafite liquida sobre papel Windsor & Newton 220 gr 100% algodão, 59,4 x 126 cm

O conjunto sequencial, em 3 tempos, entre outras séries que se apresentam na exposição, perspectiva a amplitude e a exploração do tema central do gesto no desenho, através de estratégias processuais vinculadas aos conceitos da repetição e do inefável.

Orquidea #1 2008

Orquidea #1 2008
desenho

Agapantos

Agapantos
desenho 2008

Herbario Gestos/G.Plumba2008

Herbario Gestos/G.Plumba2008
desenho

Herbário de Gestos, 2007/2008


A envolvência quotidiana com práticas de jardinagem no espaço onde habito, tem vindo a acentuar, o meu interesse pelas questões em torno do conhecimento e da representação das espécies botânicas. A possibilidade de plantar flores no exterior, acompanhar o seu crescimento e conhecer os seus aspectos morfológicos constitui uma vivência muito aprazível e que se reverte em momentos de tranquilidade no espaço doméstico. Na sequencia deste estímulo de relação com a natureza e com o valor simbólico que transporta consigo, no “entendimento do desenho, como a materialização de uma acto consciente – onde o gesto incorpora o acto do pensamento” (NEWMAN cit. ZEGHER: 2003, 72), constituiu uma razão, para explorar a experiência perceptiva segundo novos modos e processos.

Merleau Ponty (1908-1961) na sua obra, O Visível e o Invisível, refere que o conhecimento do mundo tem origem na vivência de cada um. São as nossas aprendizagens, experiências e sentimentos, que perspectivam a nossa percepção e acção. A vontade de saber mais, sobre esta temática viva e mutável, conduziu ao desenvolvimento de um conjunto de práticas, ao nível dos processos pictóricos num entrosamento, com os modos de classificação e arquivo das espécies botânicas.

Herbário de Gestos, reúne um conjunto de 50 desenhos realizadas em 2007. O corpo de desenhos, que se apresenta, recorre a uma espécie em particular: as raízes tuberosas das dahlias. Cada desenho foi realizado a partir do natural. As características materiais de cada um, são as seguintes: 51x36 cm, aguarela Rembrandt sobre papel winsor & newton, 220 gramas 100% algodão satinado. A pena gráfica e o pincel chinês, foram os instrumentos utilizados.

Revelar o que da essência das dahlia, se deixa expressar, através do gesto que as desenha, foi um dos objectivo de orientação. Dentro da mesma espécie botânica, variam os referentes, e sem intenção objectiva, o tom da aguarela. A dimensão, o suporte papel, o pincel chinês, a pena gráfica e a escala de representação, são uma constante.

A escolha do referente - as raízes tuberosas das dahlia, prende-se com o significado do próprio termo. A raiz é o órgão das plantas superiores, que se situa na posição inferior do caule. Cresce no seu sentido inverso, destina-se a fixar a planta ao solo e a absorver as substâncias que a alimentam. As raízes possuem pequenos tubérculos carregados de reservas nutritivas que a seu tempo irão desenvolver-se, rasgar o solo, desabrochar e florescer.

O reconhecimento icónico e simbólico da raiz vegetal, aponta para a intenção subjacente que os procedimentos e a experimentação pictórica procuram explorar. Associar a raiz da dahlia, por um lado, como conceito vinculado aos significados de origem, principio e ligação entre as partes que a constituem e por outro lado, apreender as tensões, os movimentos, a intensidade das marcas transferidas para o gesto que traça e que configura cada tubérculo, antecipando as implicações temporais que a metamorfose e o crescimento da espécie convoca. Usar o corpo, como médium de transporte, na transferência de certas características da espécie para o acção do gesto, do pensamento. Entre o manusear do pincel e da tinta aquosa, na observação de um detalhe ou da totalidade da forma. A repetição de cada gesto, seja rápido ou lento, hesitante ... interrompido... procura nos contornos, nas pausas e nas marcas de cada acção, os limiares da representação.

Rosário Forjaz.

Galeria Plumba, 20 Setembro, 2008

MERLEAU-PONTY, M. (1971), O Visível e o Invisível, Editora Perspectiva, São Paulo.

ZEGHER, Catherine de, (2003) The Stage of Drawing: Gesture and Act, Tate Publishing and The Drawing Center, New York.

Herbário de gestos, 2007 - Exposição Plumba, Porto( 20set/18out)

A perspectiva, de revelar pelo desenho, o que da essência da espécie botânica nas suas fazes de crescimento e metamorfose - bolbo, raízes, flor - se deixa revelar através do gesto que a desenha - nas tensões, movimentos, intensidade c implicações temporais – convoca uma harmonia do inconsciente com o consciente.

Raíz tuberosa (dália)

Raíz tuberosa (dália)
Aguarela sobre papel 2007

Raiz tuberosa (dália)

Raiz tuberosa (dália)
Aguarela sobre papel 2007

tuberculo . fotografia . 2008

tuberculo . fotografia . 2008
capa doc. dissertaçao mestrado

Gingko Biloba

Gingko Biloba
Autorepresentação

Auto representação 2007

A exploração de procedimentos e práticas pictóricas de auto-representação levanta a questão premente acerca de como conceber uma imagem de mim mesma. Escutar o eco da minha existência e devolvê-lo através de imagens. Pensar a experimentação do corpo como médium de transporte do eu que se desfruta no sentido da contemplação,

O recurso ao tema do retrato para a produção do sentido nas imagens, desenvolveu-se segundo uma pesquisa metodológica na ordem da transferência de certas características da botânica para o corpo. Esta interdependência, não será o que de forma lata se poderia designar como o lugar da representação na retórica, mas a dependência entre as imagens produzidas e o discurso que a legitima. Este entrosamento, procura expressar o que transcende cada um dos campos. interrrogação e gozo. Como Narciso, que se enamora da sua imagem reflectida na água, Cada registo capta um instante tanto quanto o apaga. Esta dualidade temporal, entre a vida e a morte, rastreia os limites da representação.

O que se pretende é relacionar a raiz do cabelo com a raiz das dálias. O significado da palavra raiz, em relação à botânica, tem a ver com o órgão das plantas superiores de folhas que se situa geralmente numa posição inferior ao caule, crescendo no sentido inverso deste e que se destina a fixá-las, ao solo, absorvendo as substâncias alimentares. Este exemplo, trata-se de uma raiz tuberosa, o que a específica como possuindo pequenos tubérculos carregados de reservas nutritivas. Os conceitos: origem, principio, ligação, vínculo que se estabelece com carácter duradouro, surgem associados (entre outros) a sentidos como: criar raízes, estar a raiz à flor da terra, lançar raízes, ter raízes numa terra.
O reconhecimento icónico da raiz vegetal aponta de uma forma obvia para a intenção subjacente. A identificação da raiz como a parte de um órgão implantada noutro órgão, convoca a carga simbólica que associamos à raiz do pensamento. A cabeça que suporta as raízes, contém em si a citação da terra que fecunda a planta que há-de crescer. A raiz é considerada um desvio, Da mesma forma que a terra fecunda a raiz, a cabeça fecunda o pensamento.



Colar, 2000

Colar, 2000

Joalharia

O trabalho anteriormente desenvolvido teve uma interrupção com o momento de duas aprendizagens muito distintas no que respeita à formação de base em Pintura. Refiro-me ao Curso de Joalharia e á pós graduação em Física. Seja no primeiro caso como no segundo fui confrontada com objectivos, processos, materiais e instrumentos novos. A joalharia facultou me uma relação mais directa com o tridimensional e com o desenho.

referente

referente

Jardim habitado 2007

Jardim habitado 2007
Projeção 2007

Desenho nocturno 2007

Desenho nocturno 2007
verbena 2007

“Dentro da Paisagem”, 2005

“Dentro da Paisagem”, dá continuidade à ideia de paisagem natural. Como anteriormente os conceitos descritores associáveis poderiam ser: percepção, memoria, imaginação, identificação, linguagens analógica e digital, espaço, luz e transparência.
A manipulação da natureza através de registos fotográficos e gráficos, através do desenho, da pintura e da xilogravura, propõe realizar uma apropriação das formas das árvores em situação de densidade criada pelo entrelaçar e amarrar dos ramos e pela folhagem. Um contraponto entre a estrutura das linhas que desenham os troncos e a configuração, a massa das folhas que a veste.
Cada elemento representado na imagem final foi sujeito, pela manipulação digital e analógica a um processo de fragmentação e simplificação formal. A representação construída resulta destas formas conjugadas cujo objectivo aponta para a construção artificial de um padrão.

“ Árvore aérea ”, 2004

“ Árvore aérea ” refere-se a um conjunto de trabalhos que abarca dois grupos associados em termos de temática, mas diferenciados pela forma como a sugerem. O objecto de enfoque e referente, incide sobre um exemplo arbóreo – um metrosiderus excelsius. O conceito propulsor da abordagem prende-se com as questões do crescimento da árvore.
A descoberta desta árvore, a representação da sua fisionomia, os seus contrastes e mutações sazonais, através do desenho, permitiram que se experienciassem vivências que se revelaram determinantes para a representação. Chamei-lhe a árvore das raízes aéreas. A vida de uma árvore acompanha o ciclo das estações é um símbolo da vida. Nesta árvore singular, sobressai o dialogo que se processa entre a sua extremidade superior, a copa frondosa e a inferior, a raiz complexa […]. Nesta árvore o sistema radicular interroga o crescimento vertical, levando-nos a questionar a sua idade, a questionar o seu crescimento. […]. Esta árvore tem para mim uma presença tão forte que parece abarcar o próprio firmamento…o sonho…a memoria daquele lugar … as minhas histórias … a infinitude do tempo. O devaneio e o tempo são o alimento ao entendimento desta árvore e ao que ela transporta.
Um dos grupos, remete para a transparência, a fluidez, o visível e tem a ver com um conjunto de desenhos realizados a grafite sobre papel. Apresentam sobreposto na sua superfície (a um espaçamento de cerca de 1 cm) um plano de cor variável em acrílico transparente (azul claro, verde, vermelho, cristal, branco translúcido). São representações que convocam uma correspondência entre o significado das formas desenhadas e o filtro de cor. O objectivo de conjugação entre estes dois meios foi o de interferir na recepção da imagem, criando alguma expectativa. A variação da transparência dos filtros associada á diversidade de desenhos, distribuídos pela parede de suporte tinha por objectivo fazer de cada peça uma parte do todo. Um jogo com possibilidades múltiplas de organização.

O outro grupo, remete para o peso, a matéria, o escondido e tem a ver com um conjunto de cubos de cerâmica que se podem abrir, Contentores de uma interioridade cromática (a mesma dos filtros referidos) que se revela quando se abre, quando se expõe. A matéria da textura acentuada da pasta refractaria branca, beje e vermelha, procura uma afirmação comparável ao tronco eterno do metrosiderus. O vermelho remete para as flores quando em Maio parecem sangrar, em contraste com o céu azul da estação já luminosa.

Densidade, 2004

Densidade, 2004
Acrílico sobre tela, 50x50cm

Desprendimento, 2004

Desprendimento, 2004
Acrílico sobre tela, 50x50cm

Projectos de intervenção

  • 9leilão espaçoT
  • Av.Aliados 100 Esculturas Espaço Público09
  • Azulejaria no Hospital
  • Espaço T: video
  • Homem T: Projecto de Felicidade2009
  • manual escolar
  • Pratos com história
  • Prémio Augusto Gomes/WikiESAG

“Paesaggi Esplosi”,2000

Em consequência á prática anterior, enquadro o momento seguinte como aglutinador de duas abordagens próximas na temática da viagem e nos processos digitais: “Paesaggi Esplosi” (instalação colectiva Exposição de Arte Contemporânea “Hic et nunc” em Itália e “Impressões de Viagem”, na Galeria da Universidade, Museu Nogueira da Silva, Braga. (2000).
Uma das preocupações subjacentes a este trabalho prendia-se com o facto de explorar situações que interagissem com a minha vivência mais pessoal. Comigo, com o meu quotidiano com a minha memoria. Esta necessidade conduziu me a uma representação com recurso á figuração e a um progressivo afastamento da exploração de formas geométricas puras.
A componente digital, nos processos de captação fotográfica e manipulação informática participaram no processo de descoberta e transferência de procedimentos do desenho analógico para o digital.
A luz, o espaço e os meios de apresentação – projecção virtual no primeiro caso e os objectos em acrílico no segundo – cruzam a temática da paisagem através da ideia de viagem.
No primeiro caso de estudo, “Paesaggi Esplosi”, a sequencia de 5 slides integrada numa instalação colectiva, foca o sentido de um percurso, de deslocação entendida como representação. Sobre as imagens fotográficas trabalhadas digitalmente coexistem pequenas frases e palavras em português. Palavras como, transição, absurdo, apeadeiros, um ser de fronteira, surgem como pistas de leitura com o sentido de contextualizar a diversidade geográfica dos participantes de diferentes nacionalidades, no meu caso particular levar a lingua portuguesa a Italia.

Hic et nunc, 2000

Hic et nunc, 2000
instalacao

Sou um ser de fronteira, 2000

Sou um ser de fronteira, 2000

“Impressões de Viagem” 2000

Em “Impressões de Viagem”, o itinerário tem como ponto de partida o trajecto do eixo ferroviário Porto/Braga. A linha de caminho de ferro apresenta-se como imagem carregada de significado, comparável á linha da vida em digressão por vários lugares, estações e apeadeiros. O comboio é o meio, o transporte, o espaço/contentor da geografia física e humana. A janela da carruagem, reflecte a imagem das histórias contadas. Reflecte os movimentos das gentes, os vagares do quotidiano, articula […] o argumento para uma representação projectiva da identidade. O titulo desta exposição, “impressões de Viagem” é duplo no seu sentido : apela aos significados conceptuais do tema e á linguagem digital utilizada […]. A luz é o elemento primordial, ela guia o percurso, conquista o espaço sensorial no interior da carruagem, dá corpo á apropriação fotográfica e à consequente manipulação pelos processos informáticos […] a ideia de mobilidade e de dinamismo na aproximação e no afastamento visual é associada á maior ou menor resolução no tratamento das imagens. São exploradas situações de movimento aparente na utilização de efeitos moiré com o objectivo de criar efeitos de movimento óptico.
A variação luminica encontra na materialidade das superfícies de suporte transparente tridimensional, translúcido e em alguns casos cinético, o seu movimento perpétuo. A sobreposição de duas imagens transparentes e sobrepostas sobre um mesmo plano produz uma outra. Cada uma das caixas em acrílico (ecrãs) fixa á parede, representa a janela do comboio. A horizontalidade da forma convoca o lugar do viajante. O ambiente sonoro pelo músico António Rafael, criado para o efeito associado a esta instalação, convida o viajante a entrar, a sentar-se junto á janela que cada ecrã representa e a projectar a sua história.
A este texto pessoal acrescento algumas ideias da socióloga Teresa Mora (2000) consentâneas das inquietações permanentes no meu trabalho.
“ Das narrativas possíveis da condição de ser viajante, todas elas por fazer, pois cada um de nós é um percurso que faz ao longo da sua vida inteira, poder-se-á dizer que o sentido da viagem é o de criar um espaço aberto ao ser, é a exploração do que pode ser, daquilo a que pudemos chamar mundo, ou horizonte da compreensão do viajante “Este momento, refere a relação com a paisagem natural percursora na temática dos interesses que movem o meu trabalho pessoal seguinte

“Impressão sensorial”,

“Impressão sensorial”,
impressão digital sobre propilano, 5 x(70x 25 cm

Duo, 2000

Duo, 2000

A Integração da Óptica e da luz laser na Expressão Plástica

O desenvolvimento do tema “A Integração da Óptica e da luz laser na Expressão Plástica” no departamento de Física da Universidade de Aveiro, consolidou alguns conhecimentos no campo da Luz através da realização de experiências em laboratório nas áreas da fotografia e da holografia. A realização de uma escultura á escala humana a integrar no edifício, levou ao conhecimento e à experimentação de novas relações da luz com o espaço. A escultura com carácter cinético, integrada num espaço público, pelo assunto central de abordagem – a aplicação de franjas moiré em superfícies transparentes rotativas e oscilantes - permitiu o experienciar de aspectos vinculados á Percepção e à Luz.

Objectos tridimensionais 1995

Em termos processuais este tipo de trabalho oscilou entre exemplos de aguarela, pintura a acrílico sobre tela, gravura sobre metal e um grupo de pequenas esculturas tridimensionais em vidro, metal e acrílico (“jogos no vazio”, 20x20x20 cm, 1995).
Em todos eles evidencia-se um carácter estritamente racional revelado pela utilização de formas geométricas.
Sendo o ponto de partida o espaço exterior construído, a representação afastava-se progressivamente desse referente. Para esse efeito convergia a utilização de materiais transparentes, como o vidro gravado e a criação de velaturas, no caso da pintura.
A dimensão das obras varia. A preocupação pela criação de jogos de transparência e luz incidia também na relação com o acto perceptivo, umas vezes mais centrado no detalhe outras na ilusão do espaço perspectico.
Integram-se neste período as obras realizadas para as exposições individuais: 1992, Porto, A.P.I.A.R (Associação Importadores Algodão em Rama) e 1995, "Dimensionalidades na ocupação de um espaço”, Porto, Cooperativa Árvore.

jogos no vazio, 1995

jogos no vazio, 1995

jogos no vazio, 1995

jogos no vazio, 1995

Pintura 1994

Pintura 1994
“Reverso”. acrílico sobre tela. 150x140. 1994

Pintura 1994

Pintura 1994
S/ título. Acrílico s/ tela. 60x80cm. 1994

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